Tratamentos Neurocirurgicos

Conheça os tumores cerebrais que podem ser retirados pela cirurgia endoscópica endonasal

Conheça os tumores cerebrais que podem ser retirados pela cirurgia endoscópica endonasal

Conheça os tumores cerebrais que podem ser retirados pela cirurgia endoscópica endonasal

Durante muito tempo, a única forma de remover tumores localizados na base do crânio era por meio de cirurgias que exigiam grandes incisões...

Conheça os tumores cerebrais que podem ser retirados pela cirurgia endoscópica endonasal

 

Durante muito tempo, a única forma de remover tumores localizados na base do crânio era por meio de cirurgias que exigiam grandes incisões no couro cabeludo e abertura do crânio. Com a evolução da neurocirurgia e da tecnologia, esse cenário mudou significativamente. Atualmente, muitos tumores localizados na hipófise e em outras regiões da base do crânio podem ser tratados por meio da cirurgia endoscópica endonasal, uma técnica minimamente invasiva realizada através das narinas, sem necessidade de cortes externos.

Esse procedimento proporciona excelente visualização da área operada, menor agressão aos tecidos e recuperação mais rápida em pacientes selecionados. No entanto, nem todos os tumores podem ser removidos por essa via, sendo necessária uma avaliação individualizada por uma equipe especializada. Neste artigo, você vai entender quais tumores podem ser retirados pelo nariz, como funciona essa técnica, quais são suas vantagens e quando ela é indicada.

O que é a hipófise e por que ela pode formar tumores?

Também conhecida como glândula pituitária, a hipófise é uma pequena estrutura localizada na base do cérebro, protegida por uma cavidade óssea chamada sela túrcica. Apesar de medir cerca de um centímetro, ela exerce um papel fundamental no funcionamento do organismo, sendo considerada a principal glândula do sistema endócrino. Sua principal função é produzir hormônios que regulam diversas atividades do corpo, como crescimento, metabolismo, fertilidade, produção de leite, funcionamento da tireoide, glândulas suprarrenais e órgãos reprodutivos.

A hipófise atua em conjunto com o hipotálamo, uma região do cérebro responsável por coordenar diversos processos hormonais. Essa comunicação permite que o organismo mantenha o equilíbrio hormonal necessário para o funcionamento adequado de praticamente todos os sistemas do corpo. Quando ocorre alguma alteração nas células da hipófise, pode haver crescimento anormal desse tecido, formando um tumor.

Na maioria dos casos, os tumores da hipófise são adenomas hipofisários, lesões benignas que se desenvolvem a partir das células produtoras de hormônios. Embora não sejam câncer, esses tumores podem causar importantes alterações hormonais ou comprimir estruturas vizinhas, como o quiasma óptico, responsável pela visão.

Ainda não existe uma causa única conhecida para o surgimento desses tumores. A maioria ocorre de forma esporádica, sem relação hereditária. Em uma pequena parcela dos pacientes, porém, eles podem estar associados a síndromes genéticas raras, como a Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 1 (NEM1).

Os adenomas costumam ser classificados conforme seu tamanho. Os microadenomas possuem menos de um centímetro de diâmetro e frequentemente são descobertos antes de causar compressão das estruturas vizinhas. Já os macroadenomas apresentam um centímetro ou mais, podendo crescer para regiões superiores da sela túrcica e provocar alterações visuais ou deficiência hormonal.

É importante destacar que nem todo tumor da hipófise produz hormônios. Alguns permanecem silenciosos durante anos e são descobertos apenas após exames realizados por outros motivos.

Quais tumores cerebrais podem ser retirados pelo nariz?

A cirurgia endoscópica endonasal revolucionou o tratamento de diversas doenças da base do crânio. Hoje, ela permite acessar regiões profundas do cérebro utilizando um caminho natural, através das cavidades nasais, evitando a necessidade de abrir o crânio em muitos pacientes.

Embora seja frequentemente associada aos tumores da hipófise, essa técnica também pode ser utilizada para outras lesões localizadas na linha média da base do crânio. A indicação depende principalmente da posição do tumor, do seu tamanho, da relação com vasos sanguíneos e nervos importantes e das características individuais de cada paciente. Entre os principais tumores tratados por essa via estão:

Adenomas hipofisários

Os adenomas hipofisários representam a principal indicação da cirurgia endoscópica pelo nariz. Esses tumores se desenvolvem na hipófise e podem ser classificados em funcionantes, quando produzem hormônios em excesso, ou não funcionantes, quando provocam sintomas principalmente pelo crescimento da lesão.

Dependendo do hormônio produzido, podem causar prolactinoma, doença de Cushing, acromegalia ou hipertireoidismo secundário. Já os macroadenomas frequentemente comprimem o quiasma óptico, levando à perda progressiva da visão periférica.

A localização da hipófise torna a via endonasal especialmente favorável, permitindo acesso direto ao tumor sem necessidade de manipular o tecido cerebral.

Craniofaringiomas

Os craniofaringiomas são tumores raros que surgem a partir de remanescentes embrionários relacionados ao desenvolvimento da hipófise. Apesar de geralmente serem benignos, apresentam comportamento localmente agressivo, podendo aderir a estruturas importantes como hipotálamo, nervos ópticos e grandes vasos sanguíneos.

Podem acometer crianças e adultos, sendo uma das principais causas de tumores selares na infância. Os sintomas incluem:

·    Alterações visuais;

·    Dor de cabeça;

·    Atraso do crescimento em crianças;

·    Alterações hormonais;

·    Aumento da sede e da urina;

·    Ganho de peso.

Em muitos casos, a cirurgia endoscópica oferece excelente acesso ao tumor, reduzindo a necessidade de grandes abordagens cranianas.

Cordomas

Os cordomas são tumores raros que surgem a partir de restos da notocorda, estrutura presente durante o desenvolvimento embrionário. Costumam localizar-se no clivus, uma região óssea situada atrás da cavidade nasal e abaixo do cérebro.

Apesar do crescimento lento, podem invadir estruturas importantes da base do crânio, exigindo tratamento especializado. A cirurgia endoscópica tornou-se uma das principais formas de acesso a esses tumores, permitindo ressecções amplas com menor morbidade.

Meningiomas da base do crânio

Nem todos os meningiomas podem ser removidos pelo nariz. Entretanto, alguns localizados na linha média da base do crânio, especialmente próximos ao tubérculo da sela e ao plano esfenoidal, podem ser tratados por via endoscópica em pacientes cuidadosamente selecionados.

Essa decisão depende da direção de crescimento do tumor, da relação com artérias e nervos cranianos e da experiência da equipe cirúrgica.

Outros tumores da base do crânio

Cada caso é avaliado individualmente, considerando riscos e benefícios da técnica, mas a cirurgia endoscópica também pode ser utilizada em situações específicas para tratamento de:

·    Cistos da bolsa de Rathke;

·    Alguns tumores do seio esfenoidal;

·    Tumores do clivus;

·    Encefaloceles da base do crânio;

·    Determinados tumores benignos localizados na região selar.

Como saber se é um tumor da hipófise?

Os tumores da hipófise podem permanecer assintomáticos durante anos, especialmente quando são pequenos e não produzem hormônios. À medida que crescem ou passam a interferir na produção hormonal, surgem sinais que variam conforme o tipo de adenoma e as estruturas afetadas.

Os tumores produtores de prolactina, conhecidos como prolactinomas, costumam causar alterações menstruais, infertilidade, redução da libido, impotência sexual, diminuição da testosterona nos homens e produção de leite fora do período gestacional.

Já os adenomas produtores do hormônio do crescimento podem provocar acromegalia em adultos, caracterizada pelo aumento das mãos, pés, mandíbula, nariz e língua, além de alterações cardiovasculares, metabólicas e articulares.

Quando há produção excessiva de ACTH, ocorre estimulação das glândulas suprarrenais e aumento da produção de cortisol, levando à doença de Cushing. Os pacientes podem apresentar ganho de peso, hipertensão arterial, diabetes, estrias arroxeadas, fraqueza muscular e alterações da pele.

Independentemente da produção hormonal, os macroadenomas podem crescer em direção ao quiasma óptico, causando perda da visão periférica, visão dupla ou diminuição progressiva da acuidade visual. Outros sintomas frequentes incluem:

·    Dor de cabeça persistente;

·    Fadiga;

·    Alterações hormonais;

·    Infertilidade;

·    Redução da libido;

·    Alterações menstruais;

·    Crescimento das extremidades;

·    Ganho ou perda de peso conforme o hormônio envolvido.

O diagnóstico é realizado por meio da associação entre avaliação clínica, exames laboratoriais hormonais e ressonância magnética da hipófise com contraste, considerada o principal exame para identificar essas lesões. Na maioria dos casos, o tratamento é definido em conjunto por neurocirurgião e endocrinologista, garantindo uma abordagem individualizada.

Por que operar pelo nariz?

A cirurgia endoscópica endonasal representa um dos maiores avanços da neurocirurgia moderna. Em vez de realizar uma abertura no crânio para alcançar a hipófise ou outras estruturas profundas da base do crânio, o acesso é feito utilizando as cavidades naturais do nariz, com auxílio de uma câmera de alta definição e instrumentos delicados.

Essa técnica é frequentemente realizada em conjunto por um neurocirurgião e um otorrinolaringologista especializado em cirurgia endoscópica nasal. Enquanto o otorrinolaringologista realiza o acesso pelas cavidades nasais e pelo seio esfenoidal, o neurocirurgião conduz a remoção do tumor e a reconstrução da base do crânio. Entre as principais vantagens estão:

·    Ausência de cortes no couro cabeludo ou na face;

·    Não necessidade de abrir o crânio em muitos casos;

·    Excelente iluminação e visão ampliada do campo cirúrgico;

·    Acesso mais direto ao tumor;

·    Menor manipulação do cérebro;

·    Menor trauma aos tecidos;

·    Recuperação geralmente mais rápida;

·    Menor tempo de internação;

·    Ausência de cicatriz visível;

·    Retorno mais precoce às atividades habituais.

Apesar dessas vantagens, nem todos os tumores podem ser tratados dessa forma. Lesões muito extensas, localizadas lateralmente ou envolvendo vasos e nervos de maneira complexa podem exigir abordagens tradicionais ou técnicas combinadas.

A decisão sobre a melhor via cirúrgica depende de uma análise cuidadosa dos exames de imagem, das características do tumor e da experiência da equipe multidisciplinar.

O Dr. Heros Almeida é especialista em neurocirurgia de alta complexidade, com experiência internacional e passagem por importantes institutos. Agende a sua consulta de forma rápida e prática.

 

Referências

MAYO CLINIC. Pituitary tumors: symptoms and causes. Rochester: Mayo Clinic, 2025. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/pituitary-tumors/symptoms-causes/syc-20350548. Acesso em: 07 jul. 2026.

NATIONAL CANCER INSTITUTE (NCI). Adult brain and spinal cord tumors treatment (PDQ®). Bethesda: National Cancer Institute, 2025. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/brain. Acesso em: 07 jul. 2026.

MANUAL MSD. Tumores hipofisários. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/tumores-intracranianos-e-espinais/tumores-hipofis%C3%A1rios?query=tumores%20hipofis%C3%A1rios. Acesso em: 07 jul. 2026.

JOHNS HOPKINS MEDICINE. Endoscopic Pituitary Surgery. Maryland: Johns Hopkins Medicine. Disponível em: https://www.hopkinsmedicine.org/health/treatment-tests-and-therapies/endoscopic-pituitary-surgery. Acesso em: 07 jul. 2026.

Dr. Heros Almeida

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